15 de fevereiro de 2017

O final



Tem momentos com o desânimo bate e é um soco bem forte que nos faz acordar para algo que estava errado, muito errado. A literatura sempre foi meu ponto de fuga no horizonte, mas ultimamente percebo que eu devia ter mantido esse doce sonho só para mim, evitando assim que os corvos adejassem perto e roubassem o pouco o que eu tinha.
Eu tentei, mas não consegui. Tentei seguir em frente, mas cansei e não é assim que quero continuar.
Eu pensei que esse momento não ia chegar, mas ele chegou.
Sinto contar, mas... esse texto veio cheio de mas, é isso, vou parar. Meu desejo ficou no passado, e as palavras vão adormecer. 
Agradeço quem me acompanhou até aqui, tenho respeito e carinho por todos.
Fim.

Laísa Couto

18 de agosto de 2016

Quando o mundo adormece

Já faz um tempo que quero compartilhar uma decisão com os leitores e as pessoas que acompanham e apoiam minha empreitada pela literatura, em especial através do Lagoena.  Não foi fácil. Levou muito tempo para que a ideia se tornasse algo concreto e um desejo real para mim. Muitas coisas aconteceram na minha vida pessoal que pesaram na minha decisão, cheguei a um ponto que era sufocante continuar levando algo que tanto lutei para conseguir. Contraditório, não é? Eu estava muito confusa e nada confortável, além de muito cansada. Então, resolvi sair da Draco, a editora que abraçou Lagoena lá em 2013 e a publicou em 2014. Foi uma decisão exclusivamente minha e necessária. Literatura para mim nunca foi uma obrigação. Eu deveria estar bem comigo mesma para dar o meu melhor, porém eu não estava/estou muito certa de minhas convicções. Minha única certeza é a de preciso parar.
 A literatura sempre foi muito refúgio, a caverna onde eu poderia me esconder, minha voz ecoando pelas paredes de pedra.  E de repente, fiquei em companhia do meu próprio silêncio, presa dentro de uma garrafa. Por esse, e outros motivos pessoais,  vou dar um tempo, embora eu já venha exercitando meu movimento, indo devagar. Agora é urgente, preciso desacelerar, por recomendações médicas. E a literatura, minhas histórias, vão ficar guardadas, esperando que um dia eu retorne para elas, ou elas retornem para mim, pois já faz muito que não as escuto.
Espero que os leitores e amigos compreendam. Conheci muita gente legal através desse livro, leitores se tornaram mais próximos, comecei a participar de grupos que gostam de literatura e leitura, conheci pessoalmente autores que ainda tem a boa vontade de compartilhar o seu melhor para o mundo.  Fiz parceria com blogueiros com real compromisso de promover a nossa literatura. Tive boas oportunidades que apareceram naturalmente, apesar das dificuldades.  Lagoena – O Portal dos Desejos teve críticas muito positivas para um livro de estreia, de uma autora desconhecida.  Li e assimilei todas as críticas, tanto as positivas quando as negativas. Aprendi muito. E se, eu decidir republicar o livro no futuro, terá uma nova edição, com certeza.
Então, é isso. Eu passei muito tempo pensando nesse momento, em como eu contaria para vocês sobre minha “pausa sem previsão de retorno”. Para mim só resta a certeza de que Lagoena vai continuar viva em algum lugar, até um dia virar uma nova história com seu começo, meio e fim. Eu posso separar minha vida como antes e depois de Lagoena, depois de ter encontrado a Terra Secreta devo ter me tornado uma pessoa melhor, e tentei dar o meu melhor para vocês. Ela estará guardada no meu coração, e desejo que esteja no de todos vocês guardada a Sete Chaves.
P.S.1: Mesmo que meu hiato seja longo, estarei com meu perfil ativo no site Wattpad, postando contos já escritos e poesias. Vai ter um spin-off de Lagoena. Fiquem de olho, é só seguir o meu perfil.  ;)
P.S.2: Em breve vou estar disponibilizando para venda os últimos exemplares de Lagoena – O Portal dos Desejos que tenho comigo.
Obrigada a todos.
Que as Lágrimas de Aura abençoem os seus caminhos.


Arte do desginer e autor Diego Guerra.

Laísa Couto

29 de agosto de 2015

Retrato calado - Poesia


Estava procurando algumas anotações antigas sobre o livro que estou escrevendo, Lagoena - A Feiticeira do Espelho, e encontrei esse texto perdido entre as folhas. Nem lembrava dele, cheguei a duvidar que fosse meu e até procurei a autoria no Google. É, eu mesma escrevi. Então, resolvi publicar aqui no blog.





Retrato calado

Meu sorriso é mudo.
Corre no vácuo um grito.
O destino atravessa na teia, no risco.
No espelho, a sombra do infinito.
Nos lábios, o balbuciar aflito.
É agudo o instante
que corrompe formas,
dissolve  eras.
E engole o reflexo do teto
debaixo do travesseiro.
Olhos, imagem em branco.
Códigos de raízes e brumas,
na superfície de uma pele nua.
Retrato calado.
Fardo.
Trama do mundo.
O outro lado.
De um caminho sem trato.

Laísa Couto

9 de agosto de 2015

Profundo



 Foto de Silvia Maria


Tão profundo,
Morta no leito do rio.
As águas deixam molhar os cabelos negros
Lavam os pés
Correm frias
Na escuridão
Dançam devagar naquele mundo de calmaria estranha
Dançam
Dançam
Vozes perdidas nas correntezas que aprisionam
Os passos perdidos
Daquela que tropeçou
E se afogou na própria desventura
No fim, apenas um caminho
Cair
Cair
Devagar
De...
va...
gar..
Sozinha
No abismo pálido
Onde morre o rio
Onde morrem seus passos.

Laísa Couto - 06/06/2015