24 de fevereiro de 2014

Poesia, um sopro na madrugada.



Foto by Oleg Oprisco

Ira acendida.

Ainda rasga o papel esse hálito vermelho.
Traga em brasa todas as lembranças.
Queima no ar marcas do passado.
Que se arrastam em eternas andanças incoerentes,
Quentes, feito fulgor de rosa-menina.

Mas é de lágrimas que grita esse vulcão
É de rosas que chora uma nuvem,
Que num sufoco, não canta mais este triste coração,
Cansado de tanta dor e reflexos de agonia.
Cadê as estrelas que antes adornavam este mundo?

Mudo, o ferro acende no fundo lago.
Queima e queima memórias do passado.
Arde em eras histórias esquecidas.
Língua de fogo rasgando feridas.

Será que morrerá assim, estalando em fulgor estelar?
Ou calará fria, no buraco negro da desilusão?
Cantará como a Fênix, até a morte?
Saberá encontrar o caminho de volta entre as cinzas e o resfolegar do peito?

Honrada seja tua coroa, ó, bela rainha da alma perdida, uma flor em fogo.
Ira acendida.
Cingidos sejam teus lábios, em brasa ou em ar rarefeito, no leito dos teus sonhos.
Calada fiques, na ardência dos desejos e medos.
Estoure em lágrimas, guarde os segredos.
Descanse entre a noite e o dia
 E parta quando o céu vermelho queimar mais uma vez.



6 Outras confissões...:

Luci Sanfer disse...

Adorei a sua poesia. Fiquei contente de ler que postará mais frequentemente.
Até mais.

Laísa Couto disse...

Obrigada pela visita, Luci. Que bom que apreciou o texto.
Sim, quero retonar com mais afinco. O próxima post será sobre Marina Colassanti, uma autora que conheci faz pouco tempo.
Aguardo seu retorno.

Kyanja Lee disse...

Seus poemas têm muita força, passam uma intensidade de alma impressionante, Laisa! Gosto de seu lado poeta, também!

Laísa Couto disse...

Obrigada, Kyanja! Fico contente que tenha sentido essa força!
Volte sempre!

Celly Monteiro disse...

Owh! Suas belas palavras me fazem querer voltar a escrever.

Laísa Couto disse...

Não sabia que você tinha parado, Celly, o que é uma pena. Retorne logo. ;)

Postar um comentário